terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Sátira sociológica

 A Dog's Life 
 
(farsa,
USA, 1918)
de Charlie Chaplin.
 
  

por Paulo Ayres

O ponto de vista dos marginalizados, que Charlie Chaplin tanto mostra em seus filmes, se expande até a questão animal em A Dog's Life. É uma sociedade capitalista em que há uma massa de reserva nas ruas e em filas da procura de emprego. A farsa acompanha o protagonista que dorme numa data vazia e faz um paralelo com uma cadela de rua. Os dois personagens se unem na questão da sobrevivência, compartilhando o estilo de vida presente no sentido figurado do título do filme.

A Dog's Life é uma sátira edificante sobre uma carteira cheia de dinheiro que rende algumas situações para a performance humorística. Envolve uma casa de espetáculo, dois ladrões e alguns guardas. No entanto, é na dupla principal que está a chave para o desdobramento do enredo. O animal consegue ser filmado gerando piadas visuais. Por exemplo, quando desenterra a carteira e joga terra na direção de Chaplin. É um tipo de humor que funciona na medida que o cinema mudo poderia oferecer de mais sofisticado para a época.
 
Retrato de um mundo cão, a farsa revela, como nos melhores filmes do autor, uma sociedade fria em que o humor brota de diversos choques de classes. Obviamente, como de costume no cinema de Chaplin, um calor humano é possível como horizonte aberto.

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